APG-UFSCAR PARTICIPA DO 38º CONSELHO NACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DE PÓS-GRADUANDOS (CONAP)

Durante os dias 19 a 22 de Agosto, em Recife (PE), o 38º CONAP, reuniu cerca de 60 pós-graduandos, membros de APG´s, comissões Pró-APGs e observadores. Neste CONAP além de diversas discussões, foi lançado o calendário da CAMPANHA NACIONAL PELO REAJUSTE IMEADIATO DAS BOLSAS DE MESTRADO E DOUTORADO!

Apesar dos pós-graduandos assumirem cada vez mais um papel essencial na pesquisa brasileira, a valorização da pós-graduação no país sofre com os cortes feitos pelo governo, que atingem principalmente o ministério da educação, saúde e ciência e tecnologia.  Mesmo que o governo tenha aumentado o número de bolsas, mais de 50% dos pós-graduandos brasileiros estão sem bolsa. Estamos há mais de 3 anos sem reajuste das bolsas de mestrado e doutorado, e as universidades sofrem com a falta de professores e pesquisadores diante do cancelamento das contratações por concursos.

Assim, o corte de 50 bilhões e o recorde de superávit primário, R$ 119 bilhões para pagar os juros da dívida, acerta em cheio a pós-graduação no país. Nos últimos meses houve um aumento de greves, manifestações em todos os setores públicos e privados e o governo ainda se nega abrir negociações. Mas avançam privatizações como as concessões dos Aeroportos, leilões de poços de petróleo, a entrega de Hospitais e centros de pesquisas para OS´s, e a pressão do agronegócio e do setor ruralista para destruir nossa lei ambiental e aumentar seus lucros.  Não foi para isso que milhares de trabalhadores, estudantes e pós-graduandos (com declaração da ANPG) votam na presidenta Dilma – Foi para aumentar as verbas para a educação, para a ciência e tecnologia, para a saúde e de nunca mais ouvir falar em privatizações.

Já entregamos mais de 40.000 assinaturas para a Dilma, mas no momento só houve o aceno pelo reajuste de nossas bolsas, até agora nada foi feito e nada de mesa de negociações. Ao invés de atender nossas reivindicações declaram que devemos “trabalhar” em jornada dupla acumulando aulas, consultorias ou mesmo burocracias. É hora de engrossarmos o caldo!

  • Reajuste Imediato de 40% nas bolsas de pesquisa
  • Dobrar o número de Bolsas
  • Legislação que permita reajustes anuais com ganhos reais para recompor o valor das bolsas a mais de 20 anos em defasagem.
As mobilizações começam nesta semana, 19 a 23 de setembro, e a ANPG, APGs de vários estados e pós-graduados, estão fazendo e divulgando atividades nas suas universidades como festas dos 3 anos sem reajustes das bolsas, criação de marcadores de tempo de dias sem reajustes de bolsas, twitaço no dia 22 de setembro para encher as caixas de e-mails dos ministros do MCT e MEC, atos e coleta de assinatura para o abaixo assinado que será entregue à Dilma em outubro. Assim, é muito importante, que os pós-graduandos da UFSCar se mobilizem, propondo e fazendo atividades nessas semanas pelo reajuste imediato das bolsas, fazendo crescer e fortalecendo a CAMPANHA NACIONAL PELO AUMENTO IMEDIATO DAS BOLSAS DE MESTRADO E DOUTORADO, QUE ESTÃO CONGELADAS HÁ 3 ANOS!

 CÓDIGO FLORESTAL NO CONAP

Entendendo a importância do espaço para discussão e organização dos pós-graduandos em escala nacional, a APG-UFSCAR participou do CONAP indicando como delegada a doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFSCar, Raquel Negrão, com mandato de pautar dois pontos importantes, que não estavam previsto na programação: (1) Apoio a greve dos funcionários técnicos administrativos das universidades federais; (2) Defesa do atual Código Florestal

No primeiro dia de debate, durante a mesa redonda: “Formação de recursos humanos para o desenvolvimento do Brasil”, com participação do ex-ministro de Ciência & Tecnologia, Sérgio Rezende, a delegada Raquel pautou a necessidade de se discutir no CONAP e tirar um posicionamento dos pós-graduandos em relação ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) 30/11 proposto pelo Deputado Aldo Rebelo com apoio da bancada ruralista, que trata da mudança do Código Florestal. “De acordo com as questões apresentadas na mesa para se debater o desenvolvimento da pós-graduação ligada ao desenvolvimento do Brasil e redução das desigualdades regionais, devemos partir do ponto de que é essencial considerar que a atual proposta de destruição da nossa lei ambiental vai à contramão do desenvolvimento social do Brasil, estando ele baseado no atual modelo de produção monocultora exportadora. E o projeto de mudança do código florestal, representa a vontade do agronegócio de aumentar seus lucros, poder fundiário e político, acabando com as leis ambientais, e propondo um texto sem bases científicas, que possam ser anistiados, e se beneficiando de brechas na lei, sob o discurso de que os pequenos agricultores serão os beneficiados. OS 35 anos de programas de pós-graduação em ecologia mostram através de estudos consolidados que o Código florestal de 1965, apesar de antigo, é cientificamente embasado, e garante não só a qualidade de vida das populações e serviços ambientais, mas também a conservação da biodiversidade e a total conectividade entre as áreas remanescentes se a lei fosse cumprida integralmente. Assim, a ciência deve ser levada em conta não só para desenvolver novas tecnologias que permitam uma maior produção em menor área, mas também para dar suporte a partir de conhecimentos em ecologia às nossas leis, garantindo a conservação da biodiversidade e da qualidade de vida da população do campo e das cidades. Por isso, os pós-graduandos deveriam se posicionar contra essas mudanças no código florestal.” No final do debate, o ex-ministro Sérgio Rezende, terminou sua fala considerando que a ANPG e os pós-graduandos deveriam debater e tirar uma posição com relação às mudanças do código florestal, assim como estão fazendo os pesquisadores da SBPC e ABC, pois como a delegada da APG-UFSCAR havia pautado, a lei ambiental brasileira é muito boa, porém muita “gente” a descumpriu e a proposta do novo código era uma forma de resolver o problema de quem está fora da lei.

Entretanto, a organização do 38O CONAP, considerou que não haveria espaço e tempo para pautar a discussão da mudança do Código Florestal nos fóruns do CONAP, além de não haver acúmulo dessa discussão na diretoria da ANPG. 

Diante disso, para abrir esse debate com os pós-graduandos, a delegada propôs na plenária final a construção de uma atividade sobre o tema que foi apoiado por delegados de diversas APG's (APG- UFAC, APG-PUC RJ, APG-UEM, APG UNICAMP), e aprovado como I SEMINÁRIO DE MEIO AMBIENTE DA ANPG a ser realizado no período de 23 a 26 de outubro na UFSCar.

Assim, contamos com a participação de todos os pós-graduandos para discutir e construir uma Carta de contribuições dos pós-graduandos para as políticas ambientais brasileiras!!!

 Ato Político

Após a mesa redonda, na tarde da sexta-feira (19), também participamos do Ato Político em conjunto com as entidades estudantis que reafirma as bandeiras conjuntas entre pós-graduandos, universitários e secundaristas. Neste ato, Elisangela Lizardo, presidente da ANPG, aproveitou a oportunidade para lançar a nova fase da Campanha de Bolsas da ANPG, nos meses de setembro, outubro e novembro, em relação ao congelamento do valor das bolsas de mestrado e doutorado, sem reajuste há 3 anos. A proposta é que sejam realizadas e divulgadas por diferentes meios atividades de APG´s e pós-graduandos no Brasil todo, inclusive na capital federal, a começar por uma semana de atividades, de 19 a 23 de setembro, onde a entidade pretende pressionar a Capes, o CNPq, o MCT e o MEC pedindo o aumento imediato das bolsas de mestrado e doutorado! Todos estão chamados a construir atividades em suas universidades e nas redes virtuais! Pós-graduandos! Participem!

 Grupos de Discussão - Programa Nacional de Pós-graduação 2011-2020

Durante todo o sábado (20), estava proposta a discussão do PNPG 2011-2020 e a Campanha de Bolsas da ANPG.

Os pós-graduandos receberam da ANPG o documento final do PNPG, que havia sido lançado e publicado naquela semana pela Capes. Entretanto, durante a apresentação de um resumo com posições propostas pela ANPG, chegamos a conclusão que não seria possível aprovar qualquer posição sem ler o PNPG, pois não houve tempo suficiente para que os pós-graduandos lessem com cuidado, havendo vários pontos perigosos no texto, como por exemplo, o trecho na página 279, citado pelo pós-graduando Cristiano da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que diz que “para as bolsas se tornarem mais atrativas, é recomendável um aumento de até 10% em um período de pelo menos 3 anos”. Além disso, o plano faz projeções crescimento da pós-graduação no país sem considerar valores de bolsas de mestrado e doutorado. Ou seja, esse plano é um retrocesso para a política de valorização da pós-graduação e dos pós-graduandos no Brasil. Portanto, é importante saber o que está proposto no PNPG para não nos enganarmos e vamos continuar pautando as nossas reivindicações por mais e melhores bolsas!

Portanto, mais do que nunca precisamos construir uma grande Campanha de Bolsas com atividades diversas na universidade, aprovação de apoio nos Conselhos universitários e Conselhos de Pós-graduação e divulgadas para todas as APG´s nos próximos 3 meses!

 Plenária Final

Mais de 25 delegados participaram da Plenária Final, onde foi aprovado o calendário de atividades da Campanha de Bolsas e I Seminário de Meio Ambiente, e algumas moções de apoio, como as apresentadas pela APG-UFSCAR, APG-UEM E APG-PUC RJ em apoio à greve dos funcionários técnico-administrativos das Universidades Federais.

Também, foi constituída uma comissão de organização do 23º Congresso Nacional de Pós-Graduandos, previsto para acontecer em abril de 2012, composta por Elisangela Lizardo, Luana Bonone, Marcelo Arias, Thiago Custódio, João Carlos Azuma, Joelson Souza, Rogério Monteiro e Pedro Tourinho cesta comissão está encarregada de propor, receber e analisar as propostas de realização do Congresso. A princípio, São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte são as quatro cidades que se propuseram a receber o fórum.

 

Texto de Raquel Negrão - 20/09/2011 

Last Updated (Tuesday, 20 September 2011 14:58)